A solidão das mães
Essa 'companheira' de quem nunca se fala... Fico sempre sem jeito quando vejo falar-se da depressão do pós-parto. E, sobretudo, quando se fala dela com uma aragem muito semelhante àquela com que se fala duma doença. Ou com um tom de quem está a referir-se a uma fraqueza que se abate sobre algumas mães. Há uma espécie de 'não aguentou' que acaba por ser transversal a estas mães, que se traduz por um imenso (!) cansaço. E que, estranhamente, nunca parece ser reclamado pelas outras. Duma forma clara. Mais ou menos assim: 'Sim, também eu me deprimi, sozinha, quase em clandestinidade, e com o pavor de estar a ser má mãe!'. Ora, eu acho estranho que se fale duma mãe que teve um bebé como se as mães, porque são mães, nunca se cansassem. Mas, afinal, como pode uma mãe estar atenta e de sorriso bondoso, e como pode ser quase bucólica nos gestos quando tem um bebé que mama de duas em duas horas? E quando, entre mudar-lhe a fralda, falar com ele e dar-...