Nenhum veneno mata sozinho




A mim mata-me não te ter. Mata-me todos os dias acordar sem ti ao meu lado. Mata-me a certeza de que nada me falta se não me faltares. Mata-me tanta coisa – menos tu. E no entanto és só tu que podes matar-me. O resto – o corpo parar, a respiração ceder – é apenas um organismo, não uma vida.

Ou se ama ou se é apenas um organismo em movimento. Antes morta que apenas um organismo em movimento, ficas agora a saber. 

Nenhum veneno mata sozinho, não sei se já te disse. 

Quero-te desde que a vida começou: talvez assim entendas melhor do que falo. Quero-te desde que percebi que me percebias, desde que percebi que me vias. Há tanta gente a olhar-nos neste mundo e só uma nos consegue ver, não é?

Por: Pedro Chagas Freitas, in 'Prometo Amar'

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