Os amantes





O amor não começa quando se quer, nem acaba quando se deseja. 

O amor é forte, destemido, indomável. 

Senão fosses tu, seria outro, dizem-se os amantes, eu quero viver na tua vida. 

Os amantes adivinham-se sem palavras, olham-se nos olhos à procura, fecham-se em quartos pequeninos. 

Perdem-se um no outro, agarram-se com toda a força dos dedos e dos braços, beijam-se sobre fundos abismos. 

O amor sempre mete muito medo. 

O medo de vir a faltar depois de tudo ter prometido. 

Vai, mas não apanhes nenhum frio, e depois volta. 

Os amantes regressam quando a luz é pouca a um supremo egoísmo. Eu e tu e mais ninguém. 

O mundo pode desabar, o mar mudar de cor, a lua cair de repente. 

Só importa o brilho dos teus olhos e o sangue a bater nas tuas veias. 

Fica quieto, não faças nada. 

Ama-me mais, de dia e de noite. O mundo não precisa de saber de nada disto. 


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