Os amantes
O amor não começa quando se quer, nem acaba quando se deseja.
O amor é forte, destemido, indomável.
Senão fosses tu, seria outro, dizem-se os amantes, eu quero viver na tua vida.
Os amantes adivinham-se sem palavras, olham-se nos olhos à procura, fecham-se em quartos pequeninos.
Perdem-se um no outro, agarram-se com toda a força dos dedos e dos braços, beijam-se sobre fundos abismos.
O amor sempre mete muito medo.
O medo de vir a faltar depois de tudo ter prometido.
Vai, mas não apanhes nenhum frio, e depois volta.
Os amantes regressam quando a luz é pouca a um supremo egoísmo. Eu e tu e mais ninguém.
O mundo pode desabar, o mar mudar de cor, a lua cair de repente.
Só importa o brilho dos teus olhos e o sangue a bater nas tuas veias.
Fica quieto, não faças nada.
Ama-me mais, de dia e de noite. O mundo não precisa de saber de nada disto.
Por: Pedro Paixão

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