Quando deixas de ser em função do outro




Há algum tempo uma pessoa especial partilhava comigo que deixou de sair para dançar com algumas amigas porque o namorado não se sentia bem com essas saídas.

Partilhava que o namorado sentia medo de a perder por estar a dançar perto de outros homens. Esta insegurança do namorado fez com que tivesse deixado de dançar, o que a levava a sentir-se triste porque adorava, e porque lhe “lavava a alma” segundo dizia.

Dizia-me que por amor, não o queria fragilizar pelo medo que este tinha que ela se apaixonasse por outra pessoa enquanto dançava.

Quando lhe perguntei como se sentia com isso, a resposta foi clara e imediata – Senti-mo mal, muito mal, porque adoro dançar e deixei de o fazer porque ele tem medo e eu não o quero magoar.

O que significaria esta mudança na vida dela?
O amor é cedência, é mudança vazia e sem vontade, é deixar de ser autêntico, é deixar de viver paixões?

Acredito que o amor não é nada disto, aliás não consigo ver aqui amor.
O amor é liberdade, é confiança, é entrega presente. É a partilha de corpos, de projectos, e de vida, mas com três dimensões: eu, tu e nós.

Quando deixas de ser em função do outro, deixas de viver em ti, caminhas no sentido contrário à tua essência e ao teu bem-estar e equilíbrio.

O amor é partilha de vulnerabilidades com a certeza que a relação não se constrói pelo medo de não colocar o outro a nu. Medo pode existir sempre, a diferença está naquilo que cada um, e os dois enquanto casal, farão com ele.

O amor dá liberdade para voar, não cadeado para prender e amarrar.

Ao amor não pertence nada, a não ser o próprio amor, livre de dependências e necessidades pessoais amarradas a medos, a manipulações, a inveja, ao ciúme e à vitimização.

O amor confia e faz renascer e fortalecer um eu vulnerável.

Final da história: esta relação acabou. Ela voltou a dançar. E ele continuou com os seus medos.

Autor Diana Gaspar

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